Um dos componentes mais importantes do saber religioso no candomblé consiste no conhecimento e domínio do seu vastíssimo repertório musical. Poderíamos dizer que para cada gesto há no candomblé uma correspondente cantiga. Para tudo se canta.

Para acordar, para dormir. Para tomar banho, para comer. Para ir à rua e chegar a casa. Canta-se para colher as folhas sagradas no mato, folhas tão essenciais para a manipulação mágica do axé, a força sagrada da vida, e para cada folha uma cantiga específica. Canta-se para benzer o enfermo e nos trabalhos de limpeza ritual do corpo e da alma. Para invocar os benfazejos ancestrais e para afastar os maus espíritos. Para realizar os sacrifícios, para oferecer as comidas. Canta-se para a faca que mata o animal votivo, para a canjica que se deposita ao pé do altar, para o fogo que alumia os santos. Para a luz do dia e o escuro da noite, para que o amanhã sempre volte a acontecer. Para a terra, para a chuva e para o vento, para que a vida seja menos dura. Canta-se para os caminhos, para que se abram. Para os feitiços, para que funcionem. Para o oráculo, para que deixe os deuses falarem na caída dos búzios.

Na iniciação, ou feitura de santo, canta-se para banhar o iniciado, para raspar seus cabelos, para abrir as incisões no crânio, tronco e membros; canta-se para pintar o corpo do filho-de-santo, para colocar seus colares, para depositar na cabeça o cone mágico que atrai o orixá, para enfeitar sua testa com a pena do papagaio vermelho; canta-se para sacrificar ao orixá daquele filho que está nascendo. Cada coisa com sua cantiga própria, o repertório parece interminável.

Nas cerimónias públicas, canta-se para que os deuses venham conviver com os mortais durantes os toques no barracão dos terreiros. Canta-se para que os orixás em transe sejam levados do barracão para serem vestidos com seus paramentos e se canta para trazê-los de volta ao público. No barracão festivo, canta-se para que os orixás dancem, cada qual com seu ritmo, cada um com seu hinário próprio e coreografia característica. Canta-se depois, quando eles vão embora, deixando o corpo das filhas-de-santo, exaustas, acordadas de seu transe dançante.

Depois, quando os ritos estão concluídos, quando a fome aperta e o cansaço domina as pernas das dançantes, quando já doem os braços dos tocadores e as gargantas já estão roucas de tanto cantar, é hora do ajeum, da comida, da festa profana. Cada um se farta com a comida dos deuses, as forças se refazem, e a música sacra dá lugar à música profana, porque é hora de relaxar, hora de diversão, tempo de missão cumprida. Os deuses já se foram, satisfeitos, a distração agora é dos humanos, nada melhor que o lazer feito de música.

No candomblé, como na África ancestral, canta-se para a vida e a morte, para os vivos e os mortos. Canta-se para o trabalho e a comida que vencem a fome. Canta-se para reafirmar a fé, porque cantar é celebração, é reiteração da identidade. Mas também se canta pelos simples ócio. Canta-se pela liberdade. E porque isso merece sempre ser cantado, canta-se para que se mantenha sempre vivo o sonho.

Nas palavras da etnomusicóloga Angela Lühning, “a música no candomblé, que tem uma posição chave no conjunto de dança, mito e rito, segue um certo sistema tradicional no desenvolvimento de uma festa. Cada momento específico é acompanhado por uma cantiga adequada ou um tipo de cantiga.

A função primordial da música é fazer os orixás se apresentarem aos seus descendentes, manifestando-se em seus corpos, e dançarem. A música não dançada nos rituais preliminares possibilita uma preparação para que isso tudo se dê nas festas públicas. Porém, a música tem também uma grande importância fora das festas públicas e das cerimônias não-públicas: ela faz parte da vida cotidiana das pessoas iniciadas. Ela ultrapassa o momento da cerimônia religiosa, liga o ritual sagrado ao profano e expressa emoções muito fortes em momentos agradáveis e difíceis.

Assim a música se torna o coração do candomblé, tanto nas festas públicas, em que não há orixá sem dança (e não há dança sem música), quanto na vida cotidiana das filhas-de-santo, em que a música - especialmente as cantigas de fundamento e as rezas - expressa e alivia as emoções mais fortes” (Lühning, 1990: 115).

Reginaldo Prandi




Olá queridos leitores, que vos escreve é o Babalorisá Mauro Tosun, sou da Nação de Ketú, o meu Asé é situado no Município de Niterói no Bairro Colubandê há 29 anos, e ao longo dos anos vividos na vida do Orisá fui colecionando lindas Cantigas dos nossos mais velhos para todos os orixás, devido a facilidade de intercambio com a Bahia devido a familiares de santo e consaguineos consegui uma quantidade excelente de Orins de Run e Oros específicos, nós a Equipe do Ile Alaketú Asé Osun Iyámi Yponda tambem ministramos vários Cursos em nosso Ile e no Ile da pessoa que nos solicita, e em parceria com a nossa Rádio www.ketubrasil.com que inclusive os convido a ouvir, ela só funciona na internet, bsta voces digitarem o endereço que falei acima, e em parceria tambem com o nosso site www.candombleketu.net vamos ao longo do nosso dia a dia divulgando mais cantigas do nosso Culto, temos ainda inúmeras Apostilas contendo estas cantigas e demais outros temas ligados ao Candomblé, nossos contatos é 021 27042421 ou 021 9765-4962 nosso MSN é yeyeponda@hotmail.com

Perfil

Login
cantigassagradascandomble
Sexo
Homem
Cidade
São Gonçalo
Data de nascimento
25/08/1968

Aparência

Estatura:
172 cm (centimetro)
Tipo físico:
Média
Estilo:
Clássico
Olhos:
Castanhos
Cabelos:
Castanhos

Seu estilo de vida

Estado civil:
Solteiro(a)
Fumante:
Não fumante (a fumaça me desagrada)
Álcool:
Nunca bebo
Crianças:
Não, mas gostaria de ter
Animais:
Não, mas gostaria de adotar
Você está aqui para:
Amigos

Seus gostos

É o que mais gosto:
Viver dia a dia o Culto dos Orixás, cultivar todos os tipos de plantas, mas as sagradas e mais utilizadas em minha religião me fascinam ainda mais !
O que eu odeio:
Hipocrisia, Mesquinhez, Falta de Higiene, Desorganização,Cigarro, Bêbados, Pessoas que falem alto
Lazeres:
Candomblé, Cantar Candomblé, Andar por matas virgens, Ir a Bahia pelo menos 2 vezes ao ano
Somos um processo de SIMBIOSE, nos fundimos, pricipalmente a Musica Sacra do Candomblé !

Para visualizar todos os artigos


Abrir a barra
Fechar a barra

Precisa estar conectado para enviar uma mensagem para cantigassagradascandomble

Precisa estar conectado para adicionar cantigassagradascandomble para os seus amigos

 
Criar um blog